Eliminatórias Sul-Americanas: balanço da campanha do Brasil rumo à Copa
Análise completa da campanha do Brasil nas Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa 2026, com resultados, estatísticas e pontos decisivos.
As Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo de 2026 foram, desde o primeiro apito, um teste de resistência para todas as seleções do continente. Para o Brasil, a jornada foi especialmente turbulenta. Entre tropeços iniciais que causaram pânico na torcida e uma recuperação gradual que devolveu esperança ao país, a campanha brasileira nas Eliminatórias sintetiza tudo o que o futebol sul-americano tem de imprevisível e fascinante. Neste balanço, revisitamos cada fase da trajetória do Brasil, analisamos os números e identificamos os momentos que definiram a classificação.
Um início preocupante
O ciclo de Eliminatórias para a Copa de 2026 começou de forma atípica para o Brasil. Ainda sob o comando de Fernando Diniz, que acumulava a função com o trabalho no Fluminense, a Seleção Brasileira apresentou um futebol inconsistente e sem identidade clara. As primeiras rodadas trouxeram resultados alarmantes: derrotas fora de casa que já eram esperadas pela dificuldade natural dos duelos sul-americanos, mas também empates em casa que acenderam o sinal de alerta na CBF.
A derrota em Buenos Aires e o empate frustrante no Maracanã nas rodadas iniciais colocaram o Brasil em uma posição desconfortável na tabela de classificação. Pela primeira vez em muitos ciclos, a possibilidade de uma não classificação — ainda que remota — deixou de ser mera especulação e passou a ser discutida seriamente nos programas esportivos e nas redes sociais. O futebol apresentado não condizia com o status de maior campeão mundial, e a pressão sobre a comissão técnica era imensa.
A chegada de Dorival Júnior
A mudança no comando técnico representou o principal ponto de virada da campanha. Dorival Júnior assumiu a Seleção com a missão de reorganizar um grupo que parecia perdido tática e emocionalmente. Sua primeira convocação já sinalizou mudanças importantes: a valorização de jogadores em boa fase em seus clubes, independentemente do nome ou da grife, e uma proposta de jogo mais equilibrada, com ênfase na solidez defensiva sem abrir mão da criatividade ofensiva.
Os primeiros jogos sob Dorival foram marcados mais pela organização do que pelo brilhantismo. Vitórias por placares modestos em casa e empates dignos fora de casa começaram a recolocar o Brasil nos trilhos. A equipe passou a sofrer menos gols, a controlar melhor o meio-campo e a criar oportunidades de forma mais estruturada. A análise tática desse período revela que Dorival priorizou um sistema com linha de quatro defensores bem postada, volantes que protegiam a defesa e a liberdade criativa de Vinicius Jr como principal arma ofensiva.
Os jogos que definiram a campanha
Algumas partidas se destacaram como verdadeiros divisores de águas na trajetória brasileira. A vitória sobre o Uruguai no Maracanã, conquistada com um gol nos minutos finais, foi talvez o resultado mais importante de toda a campanha. Além dos três pontos cruciais, o triunfo trouxe uma injeção de confiança que transformou o ambiente ao redor da Seleção.
Outro jogo fundamental foi o confronto com a Colômbia em Barranquilla, um dos cenários mais hostis do futebol mundial. O empate conquistado naquele calor sufocante foi celebrado quase como uma vitória, tamanha a dificuldade do duelo. A partida em La Paz contra a Bolívia, com todas as adversidades impostas pela altitude, também merece destaque como um teste de caráter que a equipe superou com maturidade.
No entanto, nem tudo foi positivo. A derrota para o Paraguai em Assunção expôs fragilidades que Dorival precisou corrigir rapidamente. A campanha fora de casa, de maneira geral, seguiu sendo o calcanhar de Aquiles do Brasil, um padrão que se repete em praticamente todos os ciclos de Eliminatórias e que a história da Seleção confirma como um desafio estrutural.
Os números da campanha
Os dados estatísticos da campanha revelam uma equipe de duas faces. Em casa, o Brasil apresentou um aproveitamento elevado, com vitórias consistentes e poucos gols sofridos. O apoio da torcida nos estádios brasileiros se mostrou um fator determinante, assim como a familiaridade com o clima e as condições de jogo.
Fora de casa, os números contam uma história diferente. O aproveitamento caiu significativamente, com mais empates do que vitórias e um número de gols marcados bem abaixo do ideal. Essa discrepância entre desempenho dentro e fora de casa é uma constante nas Eliminatórias sul-americanas e afeta todas as seleções, mas para uma equipe com as ambições do Brasil, a melhora nesse aspecto é uma necessidade urgente pensando na Copa do Mundo de 2026.
Vinicius Jr se destacou como o jogador mais decisivo da campanha, com gols em momentos cruciais e assistências que desequilibraram partidas. Sua evolução no Real Madrid se refletiu diretamente na Seleção, onde assumiu o protagonismo que era esperado desde sua primeira convocação. Segundo dados da FIFA, o camisa 7 figurou entre os jogadores mais participativos das Eliminatórias em termos de finalizações e passes decisivos.
O impacto dos bastidores
Os bastidores da campanha revelam histórias que os números não capturam. A construção de um grupo coeso foi um dos maiores desafios de Dorival Júnior. O treinador precisou lidar com a pressão midiática, com as expectativas de uma torcida impaciente e com as limitações impostas pelo calendário internacional, que oferece pouco tempo de trabalho entre as convocações.
A relação entre jogadores e comissão técnica evoluiu positivamente ao longo da campanha. Relatos de dentro do grupo indicam que a liderança de veteranos como Marquinhos e Alisson foi fundamental para manter o equilíbrio emocional nos momentos de maior pressão. A integração de jovens talentos, como Endrick e Estêvão, ao ambiente da Seleção também foi um processo conduzido com cuidado e que promete dar frutos no Mundial.
O que a campanha diz sobre a Copa
A trajetória nas Eliminatórias serve como um termômetro valioso para o que o Brasil pode esperar na Copa do Mundo. Por um lado, a recuperação sob Dorival Júnior demonstra que a equipe possui qualidade técnica e capacidade de reação. Por outro, as oscilações ao longo da campanha alertam para a necessidade de maior regularidade, especialmente em jogos fora de casa e contra adversários de alto nível.
A Seleção Feminina tem sido um exemplo de consistência competitiva que o time masculino pode observar e absorver. A preparação mental, a disciplina tática e a capacidade de entregar resultados sob pressão são atributos que a equipe feminina desenvolveu e que o time de Dorival precisa consolidar antes de junho.
As Eliminatórias Sul-Americanas cumpriram seu papel de laboratório rigoroso. Cada ponto conquistado foi fruto de esforço extremo, cada resultado foi disputado até o limite, e cada rodada trouxe lições que serão fundamentais na Copa do Mundo. O Brasil chega ao Mundial com a experiência de ter sobrevivido à competição classificatória mais difícil do planeta — e essa resiliência pode ser a arma secreta que faltava à Seleção para buscar o tão sonhado hexacampeonato. Confira também mais detalhes sobre a CONMEBOL e seu papel na organização dessas Eliminatórias históricas.