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Seleção Brasileira rumo à Copa 2026: cenário atual e expectativas

Análise completa do momento da Seleção Brasileira sob comando de Dorival Júnior nas Eliminatórias e perspectivas para a Copa do Mundo 2026.

Lucas Mendes 5 min de leitura
Ilustração editorial sobre futebol brasileiro
Ilustração: Brasil Copa do Mundo

A Seleção Brasileira vive um dos momentos mais decisivos de sua história recente. Com a Copa do Mundo de 2026 se aproximando rapidamente — o torneio será realizado nos Estados Unidos, México e Canadá entre junho e julho — o Brasil busca recuperar o protagonismo internacional que marcou gerações passadas. Sob o comando de Dorival Júnior, a equipe atravessa um período de reconstrução que mistura a experiência de jogadores consolidados na elite europeia com a explosão de jovens talentos que prometem escrever um novo capítulo na história da Seleção.

Dorival Júnior e a reconstrução da identidade

Quando Dorival Júnior assumiu o cargo de treinador da Seleção Brasileira, em janeiro de 2024, herdou um cenário de instabilidade que vinha se arrastando desde a eliminação precoce na Copa do Qatar em 2022. O treinador, que havia conquistado a Copa Libertadores e a Copa do Brasil pelo Flamengo, trouxe consigo uma filosofia de trabalho baseada em organização tática, valorização da posse de bola e, sobretudo, recuperação da confiança do grupo.

A abordagem tática de Dorival se caracteriza pela flexibilidade. Diferentemente de treinadores anteriores que se apegavam a um sistema rígido, o técnico gaúcho demonstrou capacidade de adaptação conforme o adversário e as circunstâncias de cada partida. A alternância entre o 4-2-3-1 e o 4-3-3 tornou-se marca registrada do seu trabalho, sempre com a preocupação de garantir equilíbrio entre solidez defensiva e poder ofensivo.

O desafio de Dorival, porém, vai além do aspecto técnico-tático. A Seleção Brasileira precisa reconquistar a identidade que a tornou referência mundial: o futebol ofensivo, criativo e envolvente. Não se trata de nostalgia, mas de encontrar um caminho que honre a tradição sem ignorar a evolução do futebol moderno, cada vez mais físico e tático.

O protagonismo de Vinicius Jr e a nova geração

Se há um jogador que simboliza as esperanças brasileiras para a Copa de 2026, esse jogador é Vinicius Júnior. O atacante do Real Madrid se consolidou como um dos melhores do mundo, conquistando a Bola de Ouro e liderando seu clube em campanhas memoráveis na Champions League. Na Seleção, Vinicius carrega a responsabilidade de ser o principal referência ofensiva, atuando predominantemente pelo lado esquerdo do ataque, de onde desequilibra com sua velocidade devastadora, dribles desconcertantes e capacidade de finalização que amadureceu enormemente nos últimos anos.

Ao lado de Vinicius Jr, Rodrygo Goes oferece versatilidade ao setor ofensivo. Capaz de atuar tanto pela direita quanto como falso 9 ou meia, o também jogador do Real Madrid forma uma dupla de entrosamento notável. A conexão entre os dois, forjada no dia a dia do clube espanhol, é um dos trunfos que Dorival Júnior explora com frequência.

Endrick, por sua vez, representa a grande aposta para o futuro imediato. O jovem atacante, que iniciou sua trajetória europeia com grandes expectativas, traz ao grupo a ousadia e a fome de gol que são características dos centroavantes brasileiros clássicos. Apesar da pouca idade, Endrick já demonstrou personalidade para suportar o peso da camisa amarela, e seu desenvolvimento ao longo das Eliminatórias Sul-Americanas tem sido acompanhado de perto pela comissão técnica.

No meio-campo, Bruno Guimarães se estabeleceu como peça fundamental. O volante do Newcastle United combina capacidade de recuperação de bola com qualidade de passe e visão de jogo que dão fluidez à transição defesa-ataque. Ao seu lado, nomes como Lucas Paquetá e João Gomes oferecem opções que permitem a Dorival variar o perfil do setor conforme a necessidade — mais criativo ou mais combativo.

A defesa, historicamente um ponto de preocupação, ganhou estabilidade com a consolidação de Marquinhos como líder do setor. O zagueiro do PSG, capitão em diversas oportunidades, é a referência de experiência e segurança na linha defensiva. Nas laterais, a competição por posição é acirrada, com nomes como Danilo, Vanderson e Yan Couto disputando vagas.

A campanha nas Eliminatórias

A trajetória do Brasil nas Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa de 2026 foi marcada por altos e baixos que refletem o processo de reconstrução da equipe. Após um início turbulento sob o comando de Fernando Diniz, com resultados abaixo do esperado, a chegada de Dorival Júnior trouxe uma melhora gradual nos desempenhos e nos resultados.

O formato das Eliminatórias, com 18 rodadas em pontos corridos envolvendo as dez seleções da CONMEBOL, exige consistência ao longo de mais de dois anos de competição. A classificação direta contempla as seis primeiras colocadas, enquanto a sétima disputa uma repescagem intercontinental. A ampliação do número de vagas — consequência da expansão da Copa para 48 seleções — trouxe certo alívio, mas não eliminou a pressão sobre o Brasil, que historicamente espera nada menos que a classificação direta e confortável.

Os jogos em casa, na altitude de cidades como La Paz e Quito, e contra rivais diretos como Argentina e Uruguai, testaram a capacidade de resiliência do grupo. As vitórias contra adversários mais frágeis em casa precisaram ser complementadas por desempenhos mais consistentes fora, onde a Seleção encontrou dificuldades semelhantes às de ciclos anteriores.

Expectativas para a Copa do Mundo 2026

A Copa do Mundo de 2026 será a primeira com 48 seleções, distribuídas em 16 grupos de três equipes cada. O formato expandido altera significativamente a dinâmica do torneio, com mais jogos e um caminho mais longo até a final. Para o Brasil, isso significa que a gestão do elenco e a preparação física ganham importância ainda maior.

Os jogos serão disputados em estádios nos Estados Unidos, México e Canadá, com a final prevista para o MetLife Stadium, em Nova Jersey. A logística do torneio, com longas distâncias entre sedes, será um desafio para todas as seleções. A adaptação a diferentes climas, altitudes e fusos horários demandará planejamento meticuloso da comissão técnica.

As expectativas do torcedor brasileiro, como sempre, são elevadas. A última conquista da Copa do Mundo remonta a 2002, na Coreia do Sul e no Japão, e as eliminações dolorosas nos torneios subsequentes — com destaque para o traumático 7 a 1 contra a Alemanha em 2014 — criaram uma sede de redenção que pesa sobre os ombros de cada jogador convocado.

A Seleção Feminina, que também tem vivido um período de renovação e crescimento, serve como inspiração para o futebol brasileiro como um todo. O desenvolvimento do futebol feminino no país reforça a importância de uma cultura futebolística sólida e abrangente, que transcende gêneros e gerações.

Perspectivas e desafios finais

O caminho até a Copa de 2026 exige que Dorival Júnior encontre o equilíbrio ideal entre os talentos individuais à sua disposição e uma estrutura coletiva que funcione sob pressão. A Seleção Brasileira possui qualidade técnica para competir com qualquer adversário, mas precisa superar a fragilidade emocional que a afetou nos últimos torneios.

A definição do grupo da Copa, o planejamento de amistosos preparatórios e a escolha da base de treinamento serão etapas fundamentais nos próximos meses. A CBF terá papel crucial em oferecer as condições ideais para que a comissão técnica trabalhe sem interferências externas.

O Brasil chega à Copa de 2026 com uma geração talentosa, um treinador experiente e o peso de ser o maior campeão da história do torneio, com cinco títulos. A missão é clara: devolver ao futebol brasileiro o lugar mais alto do pódio mundial. As peças estão sendo montadas, e o mundo inteiro estará de olho quando a bola rolar na América do Norte. A expectativa, segundo os dados mais recentes da FIFA, é de que esta edição seja a maior Copa do Mundo de todos os tempos, tanto em público quanto em audiência global — e o Brasil quer ser protagonista dessa história.