Copa 2026

Copa do Mundo com 48 seleções: como funciona o novo formato em 2026

Entenda o novo formato da Copa do Mundo 2026 com 48 seleções, grupos de três equipes, fase eliminatória ampliada e mais jogos.

Pedro Almeida 6 min de leitura
Ilustração editorial sobre futebol brasileiro
Imagem: IA generativa (Gemini 2.5 Flash) 🤖 IA

A Copa do Mundo de 2026, que será disputada nos Estados Unidos, México e Canadá, marca uma revolução no formato do torneio mais importante do futebol mundial. Pela primeira vez na história, 48 seleções participarão da fase final, um salto significativo em relação às 32 equipes que disputavam o Mundial desde 1998. Mas como exatamente funciona esse novo formato? Quais são as mudanças na fase de grupos e no mata-mata? E o que isso significa para a Seleção Brasileira e para o equilíbrio competitivo do torneio?

De 32 para 48: a decisão que mudou o futebol

A expansão da Copa do Mundo para 48 seleções foi aprovada pelo Conselho da FIFA em janeiro de 2017, durante a gestão de Gianni Infantino. A decisão, embora controversa à época, refletia o desejo da entidade de tornar o futebol mais global e inclusivo, permitindo que confederações com menos tradição no futebol tivessem maior representatividade no maior palco do esporte.

A medida aumentou significativamente o número de vagas para confederações como a CAF (África), a AFC (Ásia), a OFC (Oceania) e a Concacaf (América do Norte, Central e Caribe). A CONMEBOL, que classifica equipes através das Eliminatórias Sul-Americanas, passou a contar com mais vagas, aliviando parcialmente a pressão das sempre disputadas classificatórias do continente, consideradas as mais difíceis do mundo.

A fase de grupos: 12 grupos de quatro equipes

Após diversas discussões sobre o melhor formato, a FIFA definiu que a fase de grupos da Copa de 2026 será composta por 12 grupos de quatro equipes cada — e não 16 grupos de três como chegou a ser cogitado inicialmente. Essa decisão foi fundamental para preservar a dinâmica competitiva do torneio e evitar situações indesejáveis que poderiam surgir com grupos de apenas três seleções, como a possibilidade de conluio na última rodada.

Cada seleção disputará três partidas na fase de grupos, enfrentando todos os adversários de seu grupo uma vez. O sistema de pontuação permanece o mesmo: três pontos por vitória, um ponto por empate e nenhum ponto por derrota. Os critérios de desempate seguem a tradição da FIFA, com saldo de gols, gols marcados e confronto direto entre os principais parâmetros.

As duas primeiras colocadas de cada grupo avançam para a fase eliminatória, totalizando 24 classificadas. Além disso, os oito melhores terceiros colocados entre os 12 grupos também se classificam, elevando o número de equipes na fase de mata-mata para 32. Esse formato garante que uma campanha mediana na fase de grupos ainda pode ser suficiente para a classificação, o que adiciona uma camada extra de estratégia e expectativa.

A fase eliminatória: mais rodadas, mais emoção

Com 32 equipes avançando para o mata-mata, a fase eliminatória da Copa de 2026 será composta por cinco rodadas: as 32 avos de final (round of 32), oitavas de final, quartas de final, semifinais e a grande final. Todas as partidas do mata-mata são decididas em jogo único, com prorrogação e pênaltis em caso de empate no tempo regulamentar.

Para o Brasil e para qualquer seleção que aspire ao título, isso significa que o caminho até a taça é mais longo. Serão necessárias até oito partidas — três na fase de grupos e cinco no mata-mata — para sagrar-se campeão mundial. A gestão do elenco, a preparação física e a estratégia tática ganham importância redobrada nesse contexto, pois o desgaste acumulado ao longo do torneio pode ser decisivo.

O novo sistema de cabeças de chave

O sorteio dos grupos segue um sistema de cabeças de chave (potes) baseado no ranking da FIFA. Os potes são organizados de forma a distribuir as seleções mais fortes equilibradamente entre os grupos, evitando que potências do futebol se enfrentem já na primeira fase.

O pote 1 inclui os países-sede — Estados Unidos, México e Canadá — além das seleções mais bem ranqueadas. Os demais potes são preenchidos por ordem de ranking, com restrições geográficas que impedem que duas seleções da mesma confederação caiam no mesmo grupo, exceto no caso da UEFA, que pela quantidade de classificados pode ter até duas representantes por grupo.

Para o Brasil, a posição no ranking é fundamental para garantir um lugar no pote 1 ou, no mínimo, no pote 2, o que influencia diretamente a dificuldade dos possíveis adversários na fase de grupos. A análise dos cenários possíveis é tema que aprofundamos em artigo dedicado.

Impacto no calendário e na logística

A expansão para 48 equipes impacta diretamente o calendário do torneio. A Copa de 2026 contará com 104 partidas no total, um aumento significativo em relação às 64 partidas da edição anterior. O torneio se estenderá por aproximadamente 39 dias, com jogos distribuídos entre as 16 sedes nos três países.

Essa expansão gera preocupações legítimas sobre a carga de jogos para os atletas, que já enfrentam calendários cada vez mais congestionados em seus clubes. Entidades como a FIFPro, o sindicato mundial dos jogadores, têm alertado sobre os riscos de lesões e burnout. A FIFA argumenta que o formato foi pensado para que nenhuma equipe jogue mais partidas do que nas edições anteriores na fase de grupos, mas o caminho total até o título é, de fato, mais longo.

O que muda na competitividade

Um dos debates mais acalorados sobre o novo formato diz respeito ao equilíbrio competitivo. Críticos argumentam que a inclusão de mais seleções pode resultar em jogos de qualidade inferior na fase de grupos, com goleadas que desvalorizariam o torneio. Por outro lado, defensores apontam que a história das Copas está repleta de surpresas protagonizadas por equipes consideradas inferiores, e que a ampliação pode revelar novos talentos e criar narrativas inesperadas.

A história do Brasil em Copas mostra que mesmo os pentacampeões já passaram por momentos difíceis contra adversários supostamente mais fracos. A qualificação da Arábia Saudita que surpreendeu a Argentina na Copa de 2022, a vitória de Camarões sobre a Argentina de Maradona em 1990, e a campanha heroica da Coreia do Sul em 2002 são exemplos de que o futebol é imprevisível, independentemente do formato.

Considerações estratégicas para o Brasil

Para a Seleção Brasileira, o novo formato exige adaptação estratégica. A comissão técnica liderada por Dorival Júnior precisa planejar não apenas a fase de grupos, mas todo o caminho potencial até a final. A profundidade do elenco será testada como nunca antes, e a capacidade de rotacionar jogadores sem perder qualidade será um diferencial competitivo crucial.

A Seleção Feminina já tem experiência com formatos expandidos em torneios da FIFA, e as lições aprendidas podem servir de referência para a equipe masculina. O intercâmbio de experiências entre as seleções, incentivado pela CBF, é um aspecto que pode beneficiar a preparação geral do futebol brasileiro.

Os bastidores da preparação da Seleção revelam que a comissão técnica já trabalha com cenários detalhados para cada possível caminho no torneio, considerando adversários, condições climáticas e logística de deslocamento. A Copa de 2026 será uma maratona, não um sprint, e a seleção que melhor se adaptar ao novo formato terá uma vantagem significativa na busca pelo título mundial. O mundo do futebol entra em uma nova era, e o Brasil precisa estar na vanguarda dessa transformação.