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Raphinha: do Leeds ao Barcelona e a consolidação na Seleção

A evolução de Raphinha no Barcelona e sua consolidação como peça fundamental da Seleção Brasileira de Dorival Júnior para 2026.

Rafael Santos 5 min de leitura
Ilustração editorial sobre futebol brasileiro
Imagem: IA generativa (Gemini 2.5 Flash) 🤖 IA

Existem jogadores cuja trajetória no futebol se assemelha a uma escalada íngreme, onde cada degrau é conquistado com esforço, resiliência e uma determinação que nenhum talento bruto pode substituir. Raphinha é um desses jogadores. Diferentemente dos prodígios que despontam na adolescência e são contratados por gigantes europeus antes dos 18 anos, o atacante do Barcelona construiu sua carreira pedra por pedra, passando por Portugal, França e Inglaterra antes de chegar ao topo. Hoje, aos 29 anos, Raphinha é uma das peças mais importantes da Seleção Brasileira de Dorival Júnior, e sua presença na Copa do Mundo de 2026 é tão certa quanto merecida.

A formação e os anos de aprendizado

Raphael Dias Belloli, o Raphinha, nasceu em Porto Alegre em 1996 e iniciou sua formação nas categorias de base do Avaí, em Florianópolis. Diferentemente de tantos talentos brasileiros que são abraçados cedo por grandes clubes, Raphinha precisou buscar seu espaço em um caminho menos glamoroso. Após passagens pelas divisões de base, foi para o futebol português defender o Vitória de Guimarães, onde começou a chamar atenção pela velocidade, pelos dribles e pela capacidade de finalização.

O passo seguinte foi o Sporting de Lisboa, onde conviveu com um ambiente de alta exigência que o preparou para desafios maiores. Do Sporting, transferiu-se para o Rennes, na França, onde teve suas primeiras temporadas como protagonista no futebol europeu. Cada clube, cada liga, cada experiência adicionou camadas ao seu repertório — uma formação diversa que explica a completude que Raphinha demonstra hoje.

A grande virada de sua carreira veio no Leeds United, na Premier League. Sob o comando de Marcelo Bielsa, Raphinha se tornou um dos atacantes mais perigosos do campeonato inglês, com dribles vertiginosos, cobranças de falta letais e uma entrega física que conquistou os torcedores ingleses. Segundo o Transfermarkt, seu valor de mercado disparou durante os anos no Leeds, colocando-o no radar dos maiores clubes do mundo.

A chegada ao Barcelona e a explosão

Quando o Barcelona contratou Raphinha em 2022, muitos questionaram se ele teria nível para vestir a camisa blaugrana. A sombra de outras contratações brasileiras que não deram certo no clube — e a pressão de jogar no Camp Nou — alimentavam as dúvidas. Raphinha, no entanto, respondeu da melhor forma possível: com desempenho.

As primeiras temporadas foram de adaptação e oscilação, algo natural para qualquer jogador que chega a um clube em reconstrução como o Barcelona daquele período. Mas foi sob o comando de Hansi Flick que Raphinha encontrou seu melhor futebol. Escalado predominantemente pela ponta direita, com liberdade para cortar para dentro e finalizar com o pé esquerdo, ele se tornou um dos jogadores mais decisivos da La Liga. Seus números de gols e assistências cresceram de forma exponencial, e a torcida catalã, que inicialmente o viu com ceticismo, passou a celebrá-lo como um dos líderes do time.

A história do futebol brasileiro está repleta de atacantes que brilharam na Espanha — Ronaldo, Ronaldinho, Rivaldo, Neymar —, e Raphinha, embora com um perfil diferente, adicionou seu nome a essa tradição. Sua evolução no Barcelona não é apenas uma história de sucesso individual; é a prova de que persistência e trabalho podem superar qualquer ceticismo.

A Copa América de 2024 como ponto de inflexão

Se no Barcelona Raphinha conquistou respeito gradualmente, na Seleção Brasileira seu momento de afirmação teve um marco preciso: a Copa América de 2024. Sob o comando recém-iniciado de Dorival Júnior, Raphinha foi escolhido como uma das referências do ataque e correspondeu com atuações que ficaram na memória.

Foi na Copa América que a parceria entre Raphinha e Dorival se solidificou. O treinador enxergou no atacante não apenas um jogador habilidoso, mas um líder técnico capaz de comandar a pressão alta e a intensidade sem bola que são marcas registradas de seu sistema. Raphinha abraçou esse papel com uma energia contagiante, pressionando adversários, recuperando bolas e, quando as tinha nos pés, criando chances de gol com a qualidade que lhe é característica.

De acordo com a Conmebol, Raphinha foi um dos jogadores com melhor desempenho na Copa América de 2024, figurando entre os líderes em dribles completados, chances criadas e participações em gols. Essa performance cimentou sua posição no time titular e mostrou ao Brasil inteiro que a Seleção havia encontrado em Raphinha uma peça que faltava havia tempo.

O sistema de Dorival e o papel de Raphinha

Na concepção tática de Dorival Júnior, Raphinha ocupa uma função que vai muito além de simplesmente jogar pela ponta. Em posse de bola, ele se posiciona pela direita, mas frequentemente migra para o centro do campo, criando superioridade numérica no meio e permitindo que o lateral direito avance com mais liberdade. Sem a bola, Raphinha é o primeiro jogador a iniciar a pressão, definindo a linha de marcação alta que o treinador tanto valoriza.

Essa capacidade de combinar criatividade ofensiva com intensidade defensiva faz de Raphinha o jogador ideal para o futebol que Dorival quer praticar na Copa do Mundo 2026. Ao lado de Vinicius Jr pela esquerda e com Endrick ou Rodrygo no centro, Raphinha completa um ataque que oferece velocidade, técnica e, crucialmente, equilíbrio tático.

Nos bastidores da Seleção, Raphinha é descrito como um dos jogadores mais comprometidos com o projeto de Dorival. Sua experiência em diferentes ligas e culturas futebolísticas — Portugal, França, Inglaterra, Espanha — lhe deu uma maturidade que se reflete na forma como se relaciona com companheiros de diferentes gerações. Para os mais jovens, como Endrick, ele é um exemplo de que o caminho para o topo nem sempre é o mais curto, mas pode ser o mais sólido.

A maturidade na hora certa

Raphinha chegará à Copa do Mundo de 2026 aos 29 anos, na plenitude física e técnica. Diferentemente de jogadores que atingem o pico cedo e depois oscilam, Raphinha é um daqueles raros casos em que a maturidade coincide com o melhor momento da carreira. Suas temporadas mais recentes no Barcelona são as melhores de sua vida, e na Seleção o cenário é o mesmo.

Nas Eliminatórias Sul-Americanas, Raphinha foi consistente, marcando gols importantes e contribuindo em jogos difíceis fora de casa, como nos temidos confrontos em altitude. Sua presença na convocação para a Copa é praticamente garantida, e a expectativa é de que ocupe a ponta direita titular, com a possibilidade de atuar também como meia ofensivo em formações alternativas.

A CBF reconhece em Raphinha um dos pilares do projeto para 2026, e o próprio jogador tem demonstrado em entrevistas que encara a Copa como o ápice de uma jornada que começou longe dos holofotes. Como destaca a FIFA em seu perfil sobre o jogador, Raphinha é a prova de que o futebol de elite nem sempre pertence apenas aos gênios precoces — às vezes, pertence àqueles que nunca pararam de evoluir.

Para a Seleção Feminina e o futebol brasileiro como um todo, a trajetória de Raphinha é inspiradora. Mostra que o talento, quando combinado com resiliência e trabalho incansável, encontra seu caminho. E na Copa do Mundo de 2026, esse caminho pode levar ao hexacampeonato que o Brasil tanto espera.